Na guerra cibernética, o inimigo é invisível
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Na guerra cibernética, o inimigo é invisível

Ciberdefesa foi um dos temas da reunião da CONDEFESA

Espaço Cibernético – 5º Domínio de Combate foi o tema apresentado por Giovani Thiebau, sócio proprietário da TechBiz Forense Digital, na reunião da Câmara da Indústria da Defesa e Segurança da FIEMG (CONDEFESA), realizada no dia 14/09, de forma remota. Segundo Thiebau, a empresa é considerada uma das maiores da América Latina na área de investigação em meios digitais, ciberdefesa, antifraudes, auditoria e compliance.  

Um dos cases apresentados por Thiebau foi o do caça norte-americano F-35 Joint Strike Fighter que sofreu, em 2009, uma invasão no sistema que resultou no vazamento de vários terabytes de informações, o tornando mais vulnerável à invasões.  “Para nós, civis, a guerra pode representar um conflito armado, mas no mundo digital, esse conflito é travado de outra maneira e, os inimigos, são invisíveis”, pontou. 
 
Segundo o representante da TechBiz, para manter as suas defesas digitais, os empreendimentos enfrentam alguns desafios, como a rejeição da opinião pública, que teme um possível patrulhamento digital e o recrutamento mão de obra qualificada. “Hoje manter um time de defesa é muito difícil, devido a concorrência entre as empresas nacionais, o exército e também, as multinacionais que atuam no Brasil”, disse pontuando que, a superfície de ataque da guerra cibernético no país é grande, devido ao tamanho de nossas redes governamentais e infraestrutura brasileira.    
 
Outro tema debatido foi a nota técnica Bases para a Consolidação da Estratégia Brasileira do Hidrogênio, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), lançada em fevereiro deste ano. Ailton Ricaldoni, sócio fundador da Clamper Indústria e Comércio, foi quem conduziu o assunto, que atualiza as diretrizes e as estratégias para a produção de hidrogênio no país. 

“É um mercado que está se apresentando com grandes possibilidades”, afirmou Ricaldoni, lembrando que, além dos mercados tradicionais, novos mercados para o hidrogênio podem ser desenvolvidos, como nos segmentos de transporte, geração elétrica, armazenamento de energia e processos industriais, dentre outros.  

O sócio-fundador da Clamper também explicou que o hidrogênio tem várias classificações, de acordo com a sua matéria-prima, como o Preto, produzido a partir do carvão, o Cinza, feito de gás natural sem carbon capture, utilisation and storage (CCUS) e o Verde, que advém de fontes renováveis, como energias eólicas e solar, via eletrólise da água, dentre outros. “É um assunto atual e o hidrogênio é uma fonte de energia limpa, moderna e, futuramente, barata”, reforçou René Wakil, presidente da Câmara da Indústria da Defesa e Segurança da FIEMG. 

A programação do encontro do colegiado também contou com a apresentação de Roberto Gallo, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), que explanou sobre o Organismo Certificação de Produtos (OCP) e as oportunidades para Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS).  

A empresa, criada em 1985, possui mais de 200 associadas em 14 estados brasileiros e trabalha com a emissão de declarações de Exclusividade, não Similaridade e Representação Comercial Exclusiva e também, Certificações. Também comentou a Portaria 189/18 de agosto de 2020, que estabelece a Base Normativa para os Produtos Controlados pelo Exército (PCE) e sujeitos à avaliação de conformidade e a acreditação pelo Inmetro de Organismo de Certificação de Produtos (OCP). Dentre os produtos PCE estão as armas de fogo, munições, fogos de artifícios e coletes balísticos. “Produtos importados serão submetidos às mesmas exigências de desempenho e qualidade dos produtos nacionais”, explicou esclarecendo que, no Brasil, alguns produtos precisam de certificação.   

O presidente do colegiado aproveitou a oportunidade e esclareceu que o SENAI Santo Antônio do Monte acabou de ser credenciado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) como entidade certificadora de fogos de artifícios. "É importante o trabalho conjunto e da utilização da infraestrutura existente no país, como o SENAI”, reforçou Wakil.