As relações Brasil e Argentina na pauta dos empresários
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As relações Brasil e Argentina na pauta dos empresários

Reinaldo José de Almeida Salgado, embaixador do Brasil na Argentina, participou do Ciclo de Conferências sobre a Nova Política Externa Brasileira

O embaixador do Brasil na Argentina, Reinaldo José de Almeida Salgado, apresentou, no dia 02/06, a palestra "As relações Brasil-Argentina”. O evento, que teve como mediador Roberto Goidanich, presidente da Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG), foi realizado de forma remota e com transmissão via WEBTV FIEMG.  

“A relação Brasil e Argentina é essencial e estratégica. Serve aos interesses permanentes do Brasil e vem trazendo benefícios concretos para o país e para a sociedade. Tenho certeza de que a Argentina pensa o mesmo, pois a prosperidade de ambos é de interesse de todos e a parceria entre os dois países traz vantagens, sendo que o crescimento mútuo é indiscutível”, afirmou Salgado na abertura de sua explanação.  

Segundo o embaixador, as relações diplomáticas entre os dois países se confundem com suas origens. Em 1821, o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, foi pioneiro em reconhecer a independência da Argentina. “Apesar dos vínculos originários, Brasil e Argentina, durante mais de 150 anos, viveram entre a rivalidade e indiferença, com poucos períodos de cooperação sustentada. Entre a visita de Getúlio Vargas (1935) e Fernando Collor de Mello (1990) se passaram mais de 50 anos sem que qualquer presidente brasileiro visitasse a Argentina, salvo os encontros na fronteira”, esclareceu. Somente a partir da década de 1980 que o padrão da relação entre os dois países passou a ter estabilidade e contexto de cooperação. A relação dos dois países foi reforçada  com a assinatura da Declaração de Iguaçu (1985).

“A mudança aconteceu devido à Declaração de Iguaçu (1985) e a criação do Mercado Comum do Sul (Mercosul), em 1991. A fronteira Brasil/Argentina se estende por 1.261 quilômetros e a política de integração fronteiriça é essencial na agenda de cooperação bilateral. A Comissão de Cooperação e Desenvolvimento Fronteiriço (CODEFRO), acordada em 2011, é uma importância instância bilateral. “Não é a nossa maior fronteira, mas é a mais importante pois o Brasil é o principal parceiro internacional da Argentina e todo comércio e intercâmbio internacional com nosso parceiro na região é feito por barco, avião e ponte”, ressaltou.    

Os investimentos brasileiros na Argentina se concentram principalmente nos setores siderúrgico, petrolífero, bancário, automotivo, têxtil, calçadista, de máquinas agrícolas, de mineração e de construção civil. A presença de capitais argentinos no Brasil também é expressiva. Entre as áreas beneficiadas pela parceira bilateral, pode se destacar o setor automotivo, que tem efeitos diretos e indiretos sobre o conjunto da economia brasileira e na economia mineira. Também se destaca outros campos de cooperação como a mineração, siderurgia, metalurgia e química, entre outros. Dentre os principais acordos bilaterais entre Brasil e Argentina pode-se destacar o Acordo comercial Brasil-Argentina para o Setor Automotivo (2019), a Cooperação Nuclear Brasil-Argentina (2018) e Memorando de Entendimento entre Brasil e Argentina sobre Regulamentos Técnicos do Setor Automotivo (2018). 

Com relação ao Mercosul, o embaixador reforçou o trabalho do MRE na facilitação do comércio entre os países: “Desde 2017 o MRE ajudou a eliminar mais de 50 barreiras comerciais agrícolas entre Brasil e Argentina. Nossa embaixada na Argentina é uma das mais demandadas no mundo tratando-se se questões comerciais”, afirmou.  

A palestra "As relações Brasil-Argentina” faz parte da programação do Ciclo de Conferências Sobre a Nova Política Externa Brasileira - Diálogos com os Embaixadores, uma parceria entre a FIEMG e FUNAG. Fabiano Nogueira, diretor consultivo da FIEMG e presidente do Conselho de Política e Mercados Internacionais da Federação mineira, foi quem fez a abertura do evento e destacou que a Argentina é um dos principais parceiros comercial e de investimento do Brasil, sendo o principal sócio no Mercosul. “Apesar das dificuldades econômicas tanto do Brasil quanto da Argentina, a Argentina é um dos nossos principais compradores de produtos industrializados”, afirmou Nogueira pontuando que quase 200 empresas brasileiras têm negócios e investimentos na Argentina.  

Fábio Sacioto, vice-presidente da Câmara do Comércio Indústria Argentina-Minas Gerais (CCIAMG), presidente do CIEMG, 1º diretor Financeiro da FIEMG e delegado do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) também participou da abertura do evento e ressaltou que a Argentina é o principal mercado das exportações de Minas Gerais. “Precisamos, cada vez mais, aumentar a comunicação com nossos vizinhos, e identificar as oportunidades de negócios. É importante não termos uma visão de competitividade e sim, fomentar a sinergia, a potencialidade e os pontos positivos para podermos crescer e exportar os produtos do Mercosul para outros continentes”, reforçou Sacioto.

Agenda – A próxima palestra do Ciclo de Conferências Sobre a Nova Política Externa Brasileira - Diálogos com os Embaixadores será realizada no dia 9/06, às 10h, e o embaixador convidado, Sérgio Danese, representante do Brasil na África do Sul. O evento, que terá como tema “As relações do Brasil com a África do Sul, o Lesoto e Maurício” e será transmitido via WEBTV FIEMG.