Ministro de Relações Exteriores realiza palestra para empresários mineiros
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Ministro de Relações Exteriores realiza palestra para empresários mineiros

Diplomacia da Inovação foi o tema da abertura do II Ciclo de Conferências sobre a Política Externa Brasileira

Diplomacia da Inovação foi o tema da sessão inaugural do II Ciclo de Conferências sobre a Política Externa Brasileira. O evento foi realizado no dia 10/09, com transmissão via WEBTV FIEMG, e teve como convidado o embaixador Carlos Alberto Franco França, ministro de Estado das Relações Exteriores.  Flávio Roscoe, presidente da FIEMG, participou da abertura do evento e reforçou que o corpo diplomático brasileiro vem contribuindo muito para intensificar as relações comerciais do Brasil. “O Ciclo de Palestras busca trazer informações para nossos empresários a respeito dos movimentos internacionais e, a cada palestra, somos brindados com novos conhecimentos e com novas oportunidades de acesso ao mercado  através do contato com a nossa diplomacia”, afirmou o líder empresarial. Roscoe também pontuou que o I Ciclo, realizado entre 2020 e 2021, foi muito exitoso e que tem certeza de que o segundo também será. 

Fabiano Nogueira, diretor-consultivo da FIEMG e presidente do Conselho de Política e Mercados Internacionais da FIEMG, também participou da abertura e esclareceu que o I Ciclo, que contou com 26 palestras, resultou na implementação de ações de interesse de inúmeros setores industriais junto as Embaixadas do Brasil no exterior e, em consonância com os departamentos técnicos do Itamaraty. “Essas ações têm por objetivos a melhoria de acesso das empresas brasileiras no mercado externo, na defesa de interesses empresariais brasileiros no exterior e no desenvolvimento sustentável”, afirmou Nogueira. Diplomacia da Inovação - “Este Ciclo demonstra não apenas o crescente interesse sobre o papel do Brasil no exterior, mas também, a importância da interação público/privado para o crescimento e prosperidade de nosso país”, afirmou o embaixador Carlos Alberto Franco França no início de sua palestra, ressaltando que abrir o II Ciclo é um claro exemplo do potencial da interação dos setores público e privado na vanguarda do conhecimento. Segundo França, a Diplomacia da Inovação é uma vertente do trabalho no Itamaraty que tem o intuito de promover, internacionalmente, o Sistema Brasileiro de Ciência, Tecnologia e Inovação. “Também na inovação da diplomacia e em novas formas de ação para apoiar e para projetar nossas ciências e nossas tecnologias, aumentando, desta maneira, nossa competitividade”, explicou.   

Para o diplomata, a competitividade é a palavra-chave do momento e é preciso se lançar ao mundo em busca da internacionalização. “Para ganhar escala é preciso testar nossos modelos de negócios e dispor de acesso a insumos e a tecnologias de ponta”, afirmou, esclarecendo que atualmente no Brasil investiu cerca de 1,2% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, sendo o setor público responsável por cerca de 49% gastos. Os países desenvolvidos gastam em média 2,4% do PIB em ciência e tecnologia, o dobro do que o Brasil gasta e a meta brasileira é atingir algo parecido, com 30% de investimentos públicos e 70% de investimentos privados.  

"É preciso, portanto, facilitar investimentos do empresariado brasileiro em inovação e tecnológica, criando estímulos que induzam a ver a inovação como um caminho incontornável para a conquista de mercados externos”, disse ressaltando que a FIEMG já reconheceu essa necessidade. “O Centro de Inovação e Tecnologia (CIT SENAI) é um exemplo disso, pois mantém cooperação com o setor público e representa um caminho promissor para várias áreas comerciais em Minas”, afirmou.  

Os demais estados também dispõe de bons números em termos de pesquisa científica e as publicações brasileiras representam 2% da produção mundial e 48% da produção latino-americana. “Somos líderes na região e 13º lugar no ranking mundial, sendo que ocupamos um campo específico, o da inteligência artificial. Estamos entre os 10 primeiros países em produção científica ao longo dos últimos 40 anos”, comentou.   

Entretanto, o embaixador pontuou que um problema que o Brasil precisa superar é a transformação do conhecimento científico em inovação, gerando ganhos econômicos, pois somos apenas os 62º país mais inovador de acordo com o Índice Global de Inovação 2020, que é publicado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual. “Por isso precisamos aperfeiçoar o nosso ecossistema de inovação. O crescimento acelerado do número de unicórnios brasileiros mostra dimensão desse potencial” reforçou França. Também lembrou que geramos mais unicórnios que a Índia no último ano.   

O representante do Itamaraty também esclareceu que novas legislações foram criadas com o intuito de flexibilizar as regras para investimentos e agilizar o registro de patentes. Destacou também três áreas em que o Brasil tem se mostrado competitivo e que tem contribuído para fortalecer a marca Brasil no exterior: a Agropecuária, com as Agritechs, em que o Brasil se tornou uma potência, com 1600, das quais 40% são pós fazenda, abrangendo comércio e aplicativos de empreendimentos e quase a metade com práticas se sustentabilidade. Tudo isto, graças ao investimento em tecnologia, a Finança, com as Fintechs, em que empresas  preenchem lacunas do mercado financeiro e proporcionam serviços à grande parcela de brasileiros  antes  excluídos do sistema bancário; e a Saúde, com as Healthtechs, com ambientes de inovação que contam com incubadoras e aceleradoras tecnológicas exclusivamente dedicados a oferecer o apoio necessário à criação e ao crescimento de empresas tecnológicas nesta área . Ressaltou a importância da atuação de muitas delas na pandemia. 

O ministro Carlos Alberto Franco França abordou ainda alguns Acordos realizados com Israel, Áustria e Japão explorando setores relevantes como nióbio e grafeno. Comentou sobre encontros realizados com diversos países, de forma virtual, visando fortalecer parcerias internacionais. Fez referência a uma série de iniciativas as quais vêm sendo implementadas tais como: proteção de dados com a Embrapi; adesão a instrumentos da OCDE pertinentes a Inteligência artificial; pesquisas referentes a tecnologia 5G em inúmeros países; economia digital; fluxo transfronteiriço; certificado digital; digitalização de serviços públicos; missão ao Panamá para startups; entubação cruzada com a Índia e agora com a África; fundos de investimentos; jogos eletrônicos com a Embaixada do Japão; ações direcionadas a produção de energias mais limpas, estudos sobre tecnologias quânticas, parcerias com o setor privado.  

Finalizou sua explanação ressaltando que graças a um amplo conjunto de iniciativas, o Brasil passou a ser reconhecido na área de tecnologia na região sul Americana e, vem conseguindo, aos poucos, ser associado a soluções tecnológicas em áreas de fronteira do conhecimento. “Isso é resultado do talento e da perseverança de cientistas e empresários brasileiros e de empresas inovadoras de todo mundo que estão atentas ao potencial de nosso país. O ecossistema brasileiro  amadureceu e, junto com ele, a atuação do Itamaraty que tem postos no Brasil e exterior que formam a diplomacia da inovação. Nosso trabalho é experimentar e aprender, ganhando escala com nossa rede de setores de ciência e tecnologia inovação nas embaixadas e consulados do Brasil espalhados pelo mundo”, afirmou.  

Parceria de sucesso - O II Ciclo de Conferências sobre a Política Externa Brasileira é uma parceria entre o Ministério das Relações Exteriores, a FIEMG e a Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG). A palestra Diplomacia da Inovação teve como mediadora a embaixadora Márcia Loureiro, presidente da FUNAG. “O Ciclo aproxima não apenas o empresariado, mas  toda a sociedade do trabalho desenvolvido pelo Itamaraty. Tenho grande satisfação em dar continuidade a este trabalho, que foi desenvolvido com êxito, pelo meu antecessor, o ministro Roberto Goidanich”, afirmou Loureiro