notícias

Os desafios e impactos do registro digital da escrituração fiscal – eSocial e EFD-Reinf

Empresas precisam adequar processos internos para atender mudanças que vão unificar e padronizar dados de obrigações trabalhistas, previdenciárias e fiscais

A Escrituração Fiscal Digital das Retenções e Informações da Contribuição Previdenciária Substituída, identificado pela sigla EFD-REINF, desenvolvido em complemento ao Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas, o eSocial é o grande desafio das empresas, em 2018. Todas as informações enviadas pelas empresas vão compor um banco de dados único, administrado pelo Governo Federal. Este foi o tema do Café Empresarial de janeiro, realizado no CIEMG no dia 25. 

De acordo com o gerente de capacitação empresarial do CIEMG, Frederico Mendonça, as empresas não estão preparadas para atender as exigências da escrituração on-line, que acaba com o famoso “jeitinho brasileiro”. Ele adiantou por exemplo, que exames médicos periódicos, férias ou pagamento de rescisão fora do prazo geram multa automática para a empresa.

Apesar dos softwares disponíveis no mercado, pequenas e médias empresas precisam rever todos os seus processos internos especialmente em relação à gestão trabalhista, para atender as exigências dessa escrituração. 

Para suprir essa urgência, o CIEMG/FIEMG/SESI estão oferecendo treinamentos e consultorias específicas para atender o cumprimento dessa nova escrituração de obrigações nas áreas trabalhista, tributária e de saúde e segurança do trabalho.

, anunciou Frederico Mendonça sobre a palestra de Ricardo Gabriel e Carla Belo, especialistas em ciências contábeis e gerenciamento de dados, responsáveis pela implantação dois projetos eSocial e EFD e Reinf, no Sistema FIEMG.

MUDANÇAS/BENEFÍCIOS 

Ricardo Gabriel especialista em banco de dados e um dos palestrantes do Café Empresarial, explicou que empresas com faturamento superior a R$ 78 milhões terão que enviar os registros do eSocial partir de janeiro, as demais, a partir de julho desse ano. Já os órgãos públicos, somente em 2019. Entre os benefícios para as empresas estão a redução na burocracia e no tempo de trabalho, maior controle e possibilidade de cruzamento de dados, além de padronização e consistência das informações. São 45 arquivos de informações, gerados pelos sistemas de cada organização, no formato XML, enviados por mais de 8 milhões de empresas, além de 80 mil escritórios de contabilidade que vão abranger mais de 44 milhões de trabalhadores, que integrarão o banco de dados que funcionará de maneira integrada e cruzada. As informações integrarão um único banco de dados, antes direcionadas separadamente para a Previdência Social, Receita Federal, Caixa Econômica Federal (FGTS) e Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). "Essa nova forma de registro vai facilitar a administração de informações relativas aos trabalhadores e reduzir custos e tempo das áreas de Recursos Humanos e contábeis das empresas. Isso porque as  várias obrigações fiscais, previdenciárias e trabalhistas serão executadas ao mesmo tempo", afirmou Ricardo.

O cenário hoje é de obrigações mensais e anuais para diversos órgãos e o eSocial chega para unificar, cruzar dados para sanar incoerências e detectar irregularidades, ao direcionar o envio de informações sobre o trabalhador, seja avulso, temporário ou agente público.

É fundamental que as informações estejam corretas desde o primeiro envio das informações do eSocial, que é, na verdade, "um espelho da gestão dos acontecimentos trabalhistas internos das empresas, e vai compor o histórico de cada trabalhador", informou o consultor.

Carla Belo, especialisata em Ciências Contábeis também palestrou no Café Empresarial e alertou sobre o que é urgente fazer para conseguir vencer esse desafio de 2018. Disse que é preciso, na primeira etapa, criar um grupo para conduzir o processo, planejar, treinar e estabelecer um plano de comunicação interna também para os trabalhadores. As etapas seguintes envolvem, entre outras providências, mapeamento de fornecedores de softwares, identificação de todos os campos, atualização de informações enviadas por terceiros, revisão de cargos e horários, benefícios diretos e indiretos e da folha de pagamentos, entre tantos outros itens, alertou a especialista.